Mesa Pilon.

Uma mesa de jantar para seis lugares feita sob liberdade total de criação. Jequitibá-rosa na estrutura, roxinho nos encaixes — e pernas que abandonam o prumo reto.

Ficha técnica
Ano2024
TipologiaMesa de jantar, 6 lugares
ClienteParticular · sob encomenda
MadeirasJequitibá-rosa e roxinho
Medidas160 × 85 × 76h cm
AcabamentoCera à base de óleos vegetais
EscopoDesign e fabricação · Estúdio um+um
Mesa Pilon montada na sala de jantar da cliente
01 — O desafio

Um briefing de
duas linhas.

No fim de 2024 chegou um desafio raro: criar uma mesa de jantar com liberdade total de criação. A cliente deu duas únicas direções — que a peça atendesse seis lugares e que trouxesse detalhes de uma madeira exótica, de preferência o roxinho.

Liberdade assim é um presente e uma armadilha. Sem um repertório de referência, a peça precisa se justificar sozinha: cada curva, cada encaixe e cada centímetro de roxinho tinha que ter uma razão construtiva, não decorativa.

O que a cliente pediu

“Seis lugares, e algum detalhe em madeira exótica — de preferência roxinho.”

RestriçõesDuas
Referências recebidasNenhuma
02 — O processo

Da conversa
à bancada.

Conversa e definição do escopo
01
Conversa

Entender o uso real: quantas pessoas sentam, com que frequência, e o que a mesa precisa aguentar no dia a dia.

Seleção das madeiras
02
Madeira

Seleção das pranchas de jequitibá-rosa pelo desenho do veio, e do roxinho que entraria nos pontos de encaixe.

Tampo na bancada
03
Bancada

Laminação do tampo, corte das pernas orgânicas e execução dos encaixes — cada peça ajustada à mão antes da montagem.

Acabamento e montagem
04
Acabamento

Cera à base de óleos vegetais: mantém o toque da madeira e permite reparo pontual ao longo dos anos.

03 — Escolha das madeiras

Duas madeiras,
dois papéis.

Uma sustenta, a outra marca. Nenhuma das duas está ali por enfeite.

Jequitibá-rosa
Estrutura e tampo

Fibra regular e peso moderado. Dá à mesa a leveza visual que uma peça de 1,60 m pede, sem abrir mão da durabilidade que uma mesa de jantar exige.

CorRosado claro
Uso na peçaTampo, pernas, travessas
Roxinho
Encaixes e detalhes

Uma das madeiras brasileiras de cor mais intensa, e densa o bastante para trabalhar como elemento estrutural. Com o tempo e a luz, a tonalidade aprofunda.

CorVioláceo profundo
Uso na peçaDiscos e travessa central
Travessa esculpida em roxinho
04 — Detalhes da construção

Onde o roxinho
trabalha.

Travessa em roxinho vista por baixo do tampo
Travessa central

Vista por baixo: a travessa em roxinho amarra as duas bases e é o que mantém o tampo estável no vão de 1,60 m.

Disco de roxinho na junção da perna
Disco de encaixe

O disco marca o ponto onde a perna encontra a estrutura. É a cabeça do encaixe, deixada à vista em vez de escondida.

Perna orgânica em jequitibá-rosa
Perna orgânica

Sem prumo reto: a perna abre em direção ao chão e afina no topo, tirando peso visual de onde ele apareceria mais.

05 — Antes → depois

Prancha bruta,
mesa posta.

Tampo em construção na bancada
Antes

Tampo na bancada, com os encaixes abertos e os pinos de roxinho ainda soltos.

Mesa Pilon montada e em uso
Depois

Montada e em uso, na sala de jantar da cliente.

06 — Resultado final

Uma mesa que
pede para ser tocada.

As formas orgânicas e as funcionalidades modulares tornam a peça interativa: ela muda de leitura conforme você anda em volta. É uma celebração da diversidade das madeiras brasileiras — e do que a marcenaria consegue fazer quando ninguém dita o desenho.

Mesa Pilon, vista completa
07 — Galeria

Mais ângulos.

06 imagens

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